O prefeito de Mossoró tenta transformar uma investigação séria da Polícia Federal em discurso de vitimização política. Diz que está sendo perseguido porque agora é candidato ao Governo do Estado. O problema é que essa narrativa não se sustenta nos fatos.
A investigação da Polícia Federal não começou agora. Ela vem sendo construída há pelo menos três anos, muito antes de qualquer anúncio de pré-candidatura. Ou seja, não se trata de reação política, mas de apuração técnica, baseada em auditorias, relatórios e diligências.
O prefeito também insiste em repetir que sua gestão é “transparente”. Mas isso não condiz com a realidade. É público e notório que cerca de 99% dos requerimentos de informação protocolados na Câmara Municipal de Mossoró foram negados ou ignorados. Um dos casos mais emblemáticos foi o pedido de esclarecimentos sobre os gastos milionários com enfeites natalinos, que repercutiu fortemente na cidade e jamais foi devidamente explicado.
Mesmo assim, o prefeito prefere acusar, sem apresentar provas, uma suposta tramoia política envolvendo adversários e até a própria Polícia Federal. Trata-se de uma acusação grave, que tenta deslegitimar instituições de Estado quando os fatos começam a incomodar.
E há algo que muita gente parece convenientemente esquecer: este não é o primeiro escândalo da gestão Allyson Bezerra.
Há meses, o jornalista Bruno Barreto vem denunciando irregularidades em contratos de obras públicas no município. Foram divulgados áudios atribuídos ao empreiteiro Erinaldo, nos quais ele relata um suposto esquema envolvendo o prefeito e secretários municipais. Em um desses áudios, ecoa a frase que se tornou símbolo do caso e atribuída ao prefeito de Mossoró: “quem não sabe perder, não sabe ganhar”.
Mais grave ainda: existem áudios dos próprios secretários da gestão Allyson Bezerra, nos quais eles aparecem comandando supostos esquemas de contratos na cidade, envolvendo obras no museu e obras de praças públicas. Esses materiais circulam há meses e nunca foram enfrentados com esclarecimentos objetivos pelo prefeito.
Além dos áudios, há vídeos públicos do próprio Erinaldo em frente à Prefeitura de Mossoró, visivelmente abalado, “chorando” e denunciando que executou as obras e não recebeu o pagamento devido. O empreiteiro afirma que foi usado por eles nesse suposto esquema, exposto e deixado no prejuízo após cumprir contratos firmados com a gestão municipal.
A pergunta que permanece é simples e direta:
O prefeito vai negar a existência dessas denúncias?
Vai dizer que esses áudios não existem?
Vai fingir que os vídeos do empreiteiro em frente à prefeitura nunca foram gravados?
Mais cedo ou mais tarde, Allyson Bezerra terá que prestar contas não apenas sobre a investigação da Polícia Federal, mas sobre todo o conjunto de escândalos que se acumulam ao longo de sua gestão.
A imagem de gestor imaculado, vendida diariamente nas redes sociais, começa a ruir quando confrontada com a realidade dos fatos. A gestão se esfarela, e o desdobramento desses escândalos aponta para o possível fracasso de mais uma figura política construída para o Instagram, mas incapaz de sustentar essa narrativa no mundo real.





















