O escândalo dos enfeites de Natal em Mossoró está se desdobrando como uma queimada em mato seco: rápido, incontrolável e revelando, depois que o fogo passa, tudo aquilo que antes estava escondido sob as folhas. E pelas cinzas, a cada dia, surgem novas contradições, suspeitas e falhas da gestão.
A cidade de Mossoró gastou quase R$ 3 milhões em enfeites natalinos que, ao que tudo indica, parecem ser reaproveitados de anos anteriores. A empresa contratada, envolvida em escândalos de corrupção em outras cidades, venceu o processo que agora é alvo de questionamentos por falta de transparência.
Mesmo assim, a base de vereadores do prefeito Allyson Bezerra segue votando contra todo e qualquer pedido de esclarecimento. Quando a oposição pediu documentos oficiais, os aliados barraram. Quando a população e a mídia pressionaram, os mesmos vereadores correram atrás dos documentos que haviam negado — um movimento que expôs a contradição e o constrangimento dentro da própria Câmara.
O sistema de transparência da Prefeitura continua sem funcionar adequadamente, criando mais dúvidas do que respostas. A Câmara Municipal de Mossoró, totalmente submissa aos interesses do Executivo, age como um escudo automático para proteger o prefeito de qualquer desgaste político.
E como se não bastasse, a cidade entra no Natal não apenas com esse escândalo dos enfeites milionários, mas também com a volta do dossiê revelado pelo portal Blog do Barreto, que reaparece expondo irregularidades antigas em outras obras, como a do museu — com documentos, áudios e até vídeos que reacendem velhas suspeitas sobre a gestão municipal.
O “presente de Natal” da gestão Allyson parece ter chegado bem antes do dia 25 — e não veio em caixa bonita nem com laço vermelho. Veio em forma de crise, contradição e fogo político que, queimando o mato, expõe tudo o que estava escondido.



















