Após dias de forte cobrança da população e da imprensa local, vereadores da base do prefeito Allyson Bezerra receberam, por livre e espontânea pressão popular e midiática, a documentação relacionada ao escândalo envolvendo o contrato milionário da decoração natalina de Mossoró.
A movimentação ganhou destaque em diversos portais da cidade, que noticiaram a entrega dos supostos documentos — os mesmos que, curiosamente, haviam sido negados pela própria base governista quando o tema foi colocado em votação na Câmara Municipal. O requerimento apresentado pela oposição para obter exatamente esse material foi rejeitado pelos aliados do prefeito.
Ao mesmo tempo, o Portal da Transparência de Mossoró continua apresentando instabilidade, lentidão e falhas na busca por esses arquivos, o que dificulta qualquer conferência dos valores, aditivos e anexos do contrato que já soma quase R$ 3 milhões.
A situação expõe uma contradição evidente:
os vereadores que votaram contra o acesso aos documentos agora são os mesmos que os recebem para analisar. O gesto, visto por muitos como manobra, levanta dúvidas sobre a real intenção da base aliada, que tentou blindar o prefeito do escândalo e agora aparece como “fiscal” dos papéis que escondeu.
A manobra é interpretada como uma tentativa de reduzir o desgaste público, já que o contrato envolve uma empresa cujos responsáveis respondem na Justiça por outros escândalos semelhantes em diferentes cidades. A pressão popular aumentou justamente porque a base governista tentou impedir transparência desde o início.
Enquanto isso, a bancada de oposição, responsável por trazer o caso à tona, segue com enorme dificuldade até para conseguir reuniões com secretários ou qualquer abertura de diálogo com setores da gestão municipal. Pedidos formais de esclarecimento continuam sendo ignorados, e informações essenciais seguem indisponíveis.
O episódio deixa explícito que, em vez de transparência, a Prefeitura e sua base na Câmara têm agido para conter danos políticos, mantendo a sociedade às escuras sobre um dos contratos mais questionados da gestão.

















