Impasse partidário coloca futuro político de Cabo Deyvison em evidência em Mossoró

As recentes articulações políticas no Rio Grande do Norte começam a produzir reflexos diretos no cenário de Mossoró, com destaque para a situação do vereador Cabo Deyvison, atualmente filiado ao MDB. Movimentos conduzidos no âmbito estadual da legenda reacenderam o debate sobre sua permanência no partido e sobre os próximos passos de sua trajetória política.

Figura conhecida pela postura crítica em relação à administração do prefeito Allyson Bezerra, Deyvison consolidou espaço como um dos principais nomes da oposição no município. Sua atuação tem ganhado repercussão principalmente nas redes sociais, onde discursos e denúncias relacionadas à gestão municipal alcançam grande alcance e engajamento, ampliando sua projeção política.

Além da oposição administrativa, o vereador passou a se destacar por uma postura inédita no cenário político local ao abordar de forma direta o enfrentamento às facções criminosas que atuam na cidade. O tema, historicamente evitado por agentes políticos em Mossoró, passou a ser tratado de maneira aberta por Deyvison, tanto no parlamento quanto em manifestações públicas, o que o diferenciou de outros políticos que jamais adotaram uma posição tão explícita e firme sobre o assunto.

Nos meios políticos, é tratado como praticamente certo que o vereador vinha construindo um projeto para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa em 2026. Em um momento anterior, esse planejamento chegou a ser visto como compatível com os interesses do MDB, a partir de diálogos com a direção estadual do partido. No entanto, o cenário mudou após o posicionamento público do presidente estadual da legenda, Walter Alves, ao afirmar que o MDB estará integralmente alinhado ao projeto político do prefeito Allyson Bezerra, sem margem para dissidências internas.

Esse alinhamento tende a inviabilizar a permanência de Cabo Deyvison no partido caso ele mantenha uma postura de oposição. A saída da legenda, se confirmada, pode abrir uma disputa jurídica em torno do mandato de vereador, com o MDB reivindicando a vaga com base nas normas de fidelidade partidária. Mesmo sem candidatura em 2026, o parlamentar pode ser pressionado a seguir a orientação partidária, sob risco de sanções internas mais severas.

Paralelamente, bastidores políticos e portais de notícias locais passaram a ventilar a existência de acordos políticos direcionados a enfraquecer a atuação e o crescimento do vereador. A leitura de analistas é que uma eventual tentativa de isolamento ou punição política pode produzir efeito contrário. Ao ser percebido como alvo de perseguição, Cabo Deyvison tende a ampliar sua visibilidade e fortalecer sua base de apoio de forma natural, o que transformaria a estratégia em um desgaste tanto para a atual gestão municipal quanto para o próprio MDB.

O desfecho desse impasse ainda é incerto, mas o episódio já sinaliza um período de tensão política em Mossoró, com possíveis impactos relevantes no equilíbrio de forças locais nos próximos anos.