O poder sem freios: a megalomania autoritária que governa Mossoró

Mossoró vive hoje sob um governo que já não se preocupa em disfarçar. O prefeito, que nas redes sociais se vende como símbolo de transparência, diálogo e modernidade, governa na prática como um estrategista frio, maquiavélico, avesso ao contraditório e obcecado por controle. O discurso mudou, não por convicção, mas por medo.

Os escândalos que pipocam sucessivamente na cidade forçaram uma maquiagem institucional. Durante anos, requerimentos de transparência foram sistematicamente negados pela base governista na Câmara. Tudo era barrado. Tudo era tratado como irrelevante. Agora, diante do desgaste público, alguns desses requerimentos passam a ser aprovados, não por compromisso com a verdade, mas como encenação política. Transparência seletiva, tardia e cínica, criada apenas para fingir aquilo que nunca foi prática real.

No cotidiano do Legislativo, o cenário é ainda mais grave. O regimento interno da Câmara é tratado como peça decorativa. Prazos mínimos de tramitação são ignorados, sessões extraordinárias são convocadas em sequência e projetos complexos chegam poucas horas antes da votação. A pressa virou método de governo, e o debate passou a ser visto como obstáculo.

A megalomania autoritária do Executivo já ultrapassou qualquer limite razoável. Beira a atmosfera terrestre e se estende em direção ao infinito, concentrando decisões, silenciando divergências e reduzindo o Legislativo a um papel secundário. Nada escapa ao controle. Nada pode ser questionado.

Para sustentar esse modelo, o prefeito conta com a bancada mais subserviente da história política de Mossoró. Uma base que não legisla, não fiscaliza e não diverge. Repete sempre o mesmo discurso ensaiado, de que está “lutando pelo povo”. Um moralismo vazio, repetido em coro, enquanto na prática defendem interesses próprios, cargos e sobrevivência política. Zero preocupação real com o impacto popular das decisões tomadas.

Projetos são aprovados em bloco. Pedidos de suspensão para análise são derrubados por orientação direta da liderança governista. Qualquer tentativa de frear o rolo compressor é esmagada sem constrangimento. O Legislativo virou um carimbo, uma extensão direta do Executivo.

Em meio a esse mar de caos institucional, poucos ainda resistem. Poucos ainda tentam exercer o mandato para o qual foram eleitos. Cabo Deyvison, Marleide Cunha e Jailson têm se destacado por denunciar atropelos, exigir debate e enfrentar o autoritarismo. São minoria. Não têm força numérica para aprovar nada, mas fazem o que ainda é possível: resistem, registram e expõem enquanto o trator passa por cima.

No fim, porém, é preciso dizer o que muitos evitam admitir. Quem primeiro se curvou ao autoritarismo ditatorial do prefeito não foram os vereadores. Foi a população.

Uma população que aceita calada o desmonte do debate público, que normaliza o atropelo institucional e que assiste a escândalos sucessivos sem reação concreta. Uma população que caminha dócil em direção ao abatedouro político e, ao chegar lá, vota, aplaude e ainda chama isso de progresso.

Mossoró não enfrenta apenas uma crise política. Vive uma crise profunda de consciência coletiva. Porque governos autoritários não se sustentam sozinhos. Eles precisam de silêncio, conformismo e aplauso. E isso, infelizmente, tem sobrado.