A tentativa de instaurar uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a gestão do prefeito Allyson Bezerra foi barrada nesta semana na Câmara Municipal de Mossoró, evidenciando mais uma vez o forte controle político do Executivo sobre o Legislativo local.
A proposta da CEI partiu de vereadores da oposição, que alegam a necessidade de apurar denúncias e possíveis irregularidades na administração municipal. No entanto, a iniciativa não avançou. A base aliada do prefeito se mobilizou e votou contra a abertura da comissão, impedindo que qualquer investigação formal fosse instaurada.
Nos bastidores, o movimento já era esperado. A chamada “bancada do prefeito” mostrou coesão e alinhamento, garantindo votos suficientes para barrar a proposta. Vereadores que hoje integram a base governista, e que em outros momentos discursaram em favor da transparência e do controle dos gastos públicos, optaram por rejeitar a CEI, reforçando a blindagem política em torno do Executivo.
A situação levanta questionamentos sobre o discurso de transparência frequentemente propagado por Allyson Bezerra. Enquanto nas redes sociais a gestão municipal se apresenta como aberta e acessível, na prática, iniciativas que buscam aprofundar a fiscalização enfrentam resistência direta. Para críticos, a transparência “funciona bem no Instagram”, mas não se sustenta quando colocada à prova dentro das instituições.

De forma irônica, a própria Câmara de Mossoró tem se promovido nas redes sociais, por meio de seu presidente e de vereadores, destacando o recebimento do chamado “selo ouro de transparência”.
O reconhecimento, no entanto, contrasta com a realidade apontada por críticos: segundo eles, o Legislativo municipal nunca foi tão conivente com escândalos e jamais rejeitou tantos pedidos de informação e iniciativas voltadas à transparência como no cenário atual.
A Câmara Municipal, que deveria exercer seu papel constitucional de fiscalizar o poder Executivo, segue sendo alvo de críticas por sua postura considerada subserviente. A rejeição da CEI reforça a percepção de que o Legislativo local tem atuado mais como uma extensão da gestão municipal do que como um órgão independente.
Com isso, a função essencial de investigar, cobrar e garantir a correta aplicação dos recursos públicos acaba sendo reduzida a uma formalidade. Para parte da população e de setores da oposição, a Câmara de Mossoró mantém uma aparência institucional de fiscalização, mas, na prática, opera como uma barreira que protege o prefeito e impede o avanço de investigações sobre possíveis escândalos na gestão.


