O jornalista Ronny Holanda é preso hoje em Mossoró em uma ação considerada absurda e cercada de irregularidades.
Ele tem direitos básicos negados, é algemado dentro de uma UPA — justamente onde realizava fiscalizações constantes — e colocado no porta-malas de um camburão.
Mas afinal, qual o motivo?
Ele estava pichando muros com siglas de facções? Não.
Foi flagrado recebendo dinheiro ilícito para defender político? Também não.
O motivo da prisão surpreende: Ronny Holanda é detido por fiscalizar e denunciar as péssimas condições da saúde pública na cidade.
O caso revolta ainda mais quando se observa o contraste: enquanto o jornalista é preso, facções criminosas seguem disputando território em Mossoró, sem que haja respostas efetivas das forças de segurança. Até agora, nenhum dos envolvidos nessas guerras foi devidamente responsabilizado.
A leitura que se impõe é direta: enquanto o crime organizado avança, o foco passa a ser quem denuncia problemas.
Outro ponto que chama atenção é o fato de um dos agentes envolvidos na prisão ser comissionado da própria prefeitura, o que levanta questionamentos sobre a independência da ação.
O episódio reforça a sensação de aparelhamento da máquina pública e de perseguição à imprensa independente. Em vez de combater os problemas, o sistema parece reagir contra quem os expõe.
No fim, fica a pergunta: em Mossoró, não pode denunciar, mas pichar muros de escola com símbolos de facção pode?


